Se não está mais dando certo, vou-me embora. Sinto vertigens quando a relação começa a degringolar, porque é muito difícil não piorar as coisas ainda mais. Quando a gente percebe que está começando a perder, acaba fazendo tudo para perder cada vez mais.
Se as brigas começam acontecer, fico angustiada. Tenho medo de que a gente não consiga reequilibrar o barco, que um de nós dois, ou os dois, levante subitamente e, no impulso, nos afunde. Não sei se isso vai acontecer, nem quando. Tento esperar um pouco, mas minha ansiedade cresce desmesuradamente.
De repente, me levanto eu, e, de propósito, para por a este fim insustentável, chamo a água para dentro com o peso do meu corpo.
Além disso, como saber a maneira de não piorar? E como ter certeza de que, sabendo, é isso mesmo que tem que ser feito?
Se lhe dou um beijo, melhoro as coisas? Se lhe dou um chute, pioro tudo?
Vertigens. Já não sei o que fazer. Sinto que vou virar esse barco sem nem perceber que levantei. Mas pode ser que eu me levante por achar que sou incapaz de melhorar as coisas, que piore tudo, que sou um macaco em loja de louças, quando, na verdade, não é nada disso.
É uma traição? A gente deveria falar antes, avisar, olhar, dizer, eu não gosto de ser sacudida? No mínimo a gente tenta. Mas há estruturas que não mudam. E quando a gente percebe isso, começa a organizar a defesa.
Vertigens. Saio pela porta. Chorarei depois.